09/07/2009
Mudou rapidamente de pé, estava cansada de estar apoiada unicamente no seu lado direito, o maior e o seu mais imperfeito: a mama mais caída, a coxa mais gorda, a mão mais feia. Passou todo o seu peso para o lado esquerdo, o seu favorito. Em tudo o resto, na sua vida, mantinha essa adoração pelo lado esquerdo: a porta esquerda, a cadeira da esquerda, os lugares no comboio, do lado esquerdo, até da própria palavra "esquerda" ela gostava mais, parecia mais desarrumada e atabalhoada que a estrita "direita" que sempre a fazia pensar em árvores infinitas.
26/06/2009
Enquanto fumávamos uns e uma gaja que estava ao nosso lado, chata do caralho, começou a dizer:
"Se tu me perguntares, tipo, qual é a minha cena preferida, tipo, é Deallema, tipo eles são mesmo sinceros, tipo, é uma cena mesmo tasqueira e mesmo sincera, tipo, é uma cena mesmo verdadeira, percebes a minha cena?"
Ficámos todos a olhar uns p'ós outros e depois uma amiga dela, que não tinha um dente, foi-se embora e a tipa chata do caralho diz "Xau fófinha!"
"Se tu me perguntares, tipo, qual é a minha cena preferida, tipo, é Deallema, tipo eles são mesmo sinceros, tipo, é uma cena mesmo tasqueira e mesmo sincera, tipo, é uma cena mesmo verdadeira, percebes a minha cena?"
Ficámos todos a olhar uns p'ós outros e depois uma amiga dela, que não tinha um dente, foi-se embora e a tipa chata do caralho diz "Xau fófinha!"
25/05/2009
Já não aguentava mais! Andou duas semanas seguidas colado no telemóvel, ou era nas mensagens ou era nas chamadas (puta que pariu o extravaganza) e quando eu lhe perguntava "'Tás a falar com quem?" ele dizia "Ah, é o António, vamos ali ao Latino's beber um copo" e saía de casa sem sequer me dar um beijo ou um apalpão no rabo. Eu não sou burra, este é irmão deste e primo do outro, claro que ele andava a meter a pila onde não devia! Eu não sou burra, ainda ele andava a bater punhetas e já eu andava a mama-las. Então, não aguentei mais, foi a última vez, fui atrás dele. Peguei no carro e na pistola dele, sempre quis usá-la, e fui atrás dele, 'tava ele na vila, numa tasca qualquer com uma brasileira ao colo. Foda-se, nunca lhe vi tão assustado. Entrei e berrei "António, é esta que andas a comer? Seu paneleiro!!" e ele levantou-se e começou "Não Teresa, não é o que 'tás a pensar, olha, ela é que se sentou no meu colo, tá bêbada, olha para a cara dela.." e a outra puta só se ria. Ai Carmo, só m'apetecia era matá-los aos dois, ali mesmo. E foi quase isso que fiz, apontei-lhe a arma e disse "António, vamos para casa tratar disto, eu não sou burra, 'tás a ouvir? EU NÃO SOU BURRA!" Se tu visses a cara dele, só parecia que se ia mijar todo. A outra porca da brasileira estava branca, ahaha branca, percebes?, e e eu disse-lhe "E tu minha puta barata, ai de ti que te veja outra vez, nem vais saber de onde vieste!". Empurrei o Leonel pó carro e dei-lhe com a pistola na cabeça "Não sabias deixa-la metida nas calças pois não? És mesmo boi!". Ele não piava, eu 'tava mesmo fodida, só me apetecia lixar-lhe a pila toda para tirar o aquele fedor de brasileira...
22/05/2009
Vinha uma rapariga no comboio com o lábio a sangrar; era no canto esquerdo, estava vermelho e brilhante e eu quase sentia o ardor da ferida na minha pele. Era uma rapariga loira, ainda nova, pequena e magra. Não parecia triste a olhar pela janela, era simplesmente ausente. Fiquei a olha-la e quis dar-lhe a mão para que ela se esquecesse da dor no lábio. Deve ter-lhe doído, era um corte profundo. Fiquei a olhar, a pensar no porquê daquele corte que a fazia tão frágil, e depois ela olhou para mim, apanhou-me a olhar para o lábio, e eu olhei para o lado mas depois pensei "não" e voltei a olhar para ela, desta vez estávamos os dois a olhar e encontrámo-nos, eu sorri-lhe (diziam que eu era bonito quando sorria) e ela sorriu de volta. Depois olhámos os dois pela janela e passámos por uma paisagem cheia de vacas, rimo-nos e ela disse "quando era miúda vivia numa quinta com pastos assim". Não lhe respondi, apenas olhei para ela esperando que ela continuasse, mas ela não o fez, e eu continuei, olhando-a, até que os meus olhos doessem, tanto quanto o lábio dela.
11/05/2009
Ermelinda. Chamaram-lhe em tempos "tetas douradas". Eram tetas que andavam de um lado para o outro dentro dos tops justos que usava, carnudas e de mamilos espetados que olhavam toda a gente nos olhos dizendo "Vem, espeta aqui o dedinho." Muitos obedeciam e as tetas da Ermelinda eram diariamente acariciadas por todo o tipo de homens, de todas as formas e, fogo, a Ermelinda adorava!
Anos passaram e as tetas, que em tempos foram tesas, murcharam. Agora não andavam de um lado para o outro dentro dos seus tops, balançavam, isso é que era, e já não havia quem as acariciasse, a não ser Joaquim, o trolha, que sempre pedia à Ermelinda "Oh fofa, só uma espanholada."
Anos passaram e as tetas, que em tempos foram tesas, murcharam. Agora não andavam de um lado para o outro dentro dos seus tops, balançavam, isso é que era, e já não havia quem as acariciasse, a não ser Joaquim, o trolha, que sempre pedia à Ermelinda "Oh fofa, só uma espanholada."
06/04/2009
E ele disse:
"Sabes mor, quero ter um hi5 contigo. Quero que seja o nosso filho. Amo-te muito mor, e quero um hi5 só para nós os dois."
Ela, toda ranhosa, diz que sim. Está toda babada e toda molhada. Salta-lhe para cima e pimbas, pimbas, pimbas. No fim, com ela ainda toda babada, tiram uma foto e criam um hi5.
"Sabes mor, quero ter um hi5 contigo. Quero que seja o nosso filho. Amo-te muito mor, e quero um hi5 só para nós os dois."
Ela, toda ranhosa, diz que sim. Está toda babada e toda molhada. Salta-lhe para cima e pimbas, pimbas, pimbas. No fim, com ela ainda toda babada, tiram uma foto e criam um hi5.
29/03/2009
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