14/08/2008

e então comecei a dançar, a abanar a anca ao de leve, como quem não quer a coisa. à medida que a musica se ia intensificando, eu comecei a mexer os braços, a roda-los em minha volta, tornear-me sobre mim mesma até que fiquei mesmo tonta e tive de parar. quando o fiz apercebi-me que estava tudo a dançar em minha volta, as cadeiras, as mesas, os tapetes, os candeeiros. fiquei tão confusa que acabei por cair ao chão, com muita força. bati com a cabeça no chão de mármore e ouvi um baque dentro do crânio. não senti medo, ri-me. era um barulho mesmo engraçado.
como eu era a única pessoa que restava da minha festa de anos, ninguém veio ajudar-me e eu pensei "oh, se ninguém vem, eu também não vou!" por isso, fiquei ali no chão, a olhar para o tecto. os meus pais tinham alugado um sistema de luzes de discoteca e, assim, a tinta branca das paredes estava inundada em luzes imensas e coloridas. uma mancha verde aqui, outra azul acolá, elas também dançavam, como eu. foi uma imagem muito bonita antes de ficar tudo negro.