24/08/2008

fui atacado pela paranóia, amarrado a uma cadeira e posto em frente à janela do meu apartamento. posso ver uma imensa multidão a invadir as ruas, temo que a qualquer momento comecem a trepar a fachada do meu prédio e que me comam enquanto eu grito em puro estado de horror e cataclismo, amarrado à cadeira.

sinto milhentas formigas a subirem-me pelas pernas. tenho os olhos presos no relógio da parede e não consigo olhar para os meus membros. as paredes começaram a fecha-se sobre mim, um ânus sobrevoa a minha cabeça e caga por cima de mim. desmaio com a falta de oxigénio, já que fiquei submerso em fezes. de repente acordo num quarto completamente branco, na mesma cadeira e com os olhos novamente colados no relógio de parede. alguém me chama, mas deixei de ter a certeza do meu nome. dão me com um telefone na cabeça e eu caio redondo no chão. um par de sapatos envernizados vem na minha direcção, a biqueira do sapato toca no meu olho, deixei de ver o relógio, agora tudo é negro e brilhante. os sapatos materializam-se em formigas e começam a entrar-me nos ouvidos, no nariz, em todos os orifícios que dependem de esfíncteres. ouço um cano a pingar. vejo sangue no chão, a minha língua esta agora a ser arrastada por uma colónia de formigas. os meus olhos seguem o mesmo caminho. o meu cérebro demorou dois dias a ser completamente devorado. mas então por que ainda vos falo?

paranóia. paranóia.