30/08/2008

Levei-te a casa, de braço dado, falei-te do livro que estava a ler. Ouviste-me com atenção porque falava do mal, do sangue, da dor e, acima de tudo, do amor. Arrancaste-me o livro da mão e fugiste com ele para casa. Fechaste-me a porta na cara e sozinho na rua não me deste outra escolha senão voltar para o meu apartamento.
Fui todo o caminho a imaginar-te sedenta pelo horror, ávida por cada palavra que lias, num crescendo de excitação, tal era a frequência com que lias a palavra sangue. Imaginei-te a ler sobre bocas sem língua, peitos sem coração e conas sem lábios. Imaginei-te no sofá a ler tudo aquilo. Não pude evitar um leve sorriso quando entrei finalmente em casa e me vi sozinho com a tua imagem na mente.
Espero, impaciente, pelo próximo encontro para te contar tudo aquilo que fiz depois da tua fuga.