31/08/2008

A tia da Ana, que trabalha na biblioteca, suicidou-se. Eu sei que disse o verbo no presente do indicativo, mas é verdade, ela ainda lá trabalha pois deixou em todos nós a vontade de ler. Era uma mulher muito especial que nos iluminou os dias com as dicas literárias e com a paixão com que falava sobre os seus livros favoritos. Quando tínhamos algum problema, vínhamos falar com ela e e recebíamos sempre a resposta sob a forma de uma qualquer citação vinda de um livro para nós desconhecido. Ao longo do tempo em que mantivemos esta relação, o nosso amor pelos livros cresceu como nunca e passámos a prestar atenção às palavras, às emoções, às vidas de outras pessoas que nunca chegámos a conhecer mas que, através daquelas paginas amareladas, nos pareciam mais próximas que todas as outras.
A ela devo a minha actual carreira enquanto escritor e é a ela que dedico o meu livro.
Obrigado.