17/09/2008

Larguei o meu corpo na mata em busca de um amor que nunca chegou.
Milhentos corpos pousaram sobre o meu e os ganos frios, resquícios de árvores em tempos frondosas, espetaram-se impiedosamente nas minhas costas. Ninguém fez curativos nestes buracos que ficaram por fechar, ninguém me lambeu as feridas. Ficaram abertas, cobertas por larvas que criaram colónias por debaixo das minhas omoplatas. Milhentos corpos entraram e saíram de dentro deste ser inócuo a quem chamo de puta. São como abutres e inebriados pelo cheiro da carne podre, que me picam e me arrancam a carne dos ossos.
Larguei o meu corpo na mata em busca de um amor que nunca chegou.