17/09/2008

Todos os dias vou de comboio para o emprego, apanho o comboio das 8h23 e a maior parte das vezes vou a dormir, tudo por culpa da TVI que passa as telenovelas muito tarde.
Na 4ª calhou de ir acordada, apetecia-me ver a vista pela janela, era um dia de muito nevoeiro e eu estava muito entretida. Travagem, disse a mulherzinha dos comboios. Entrou um homem que se sentou mesmo à minha frente, devia ter 30/35 anos, usava fato e tinha um nariz mesmo bonito. Havia qualquer coisa nele que me lembrava o Ricardo Carriço. Ai, fiquei automaticamente desperta e pus-me a pensar porque é que nunca o tinha o visto antes. Talvez ele tivesse tido um encontro amoroso ou então foi dormir a casa da mãe, não sei. Ao pensar tudo isto, estava a olhar fixamente para a cara dele mas não estava a reparar que o estava a fazer, ele vinha a ler o jornal, vejam só, ainda para mais era um homem informado! Não pude evitar fantasiar uma noite de amor com ele, ai devia ter uma pila mesmo bonita. Olhei para o cós das calças e quando levantei a cabeça, ele estava pasmado a olhar para mim. Oh porra!! Acho que nunca fiquei tão envergonhada , devia estar da cor dos assentos do comboio. Só me apetecia meter a cabeça num saco preto! Mas ele sorriu ao de leve para mim e eu dei uma pequena gargalhada à qual ele correspondeu. Ficámos a sorrir um para o outro por um segundo e foi aí que apliquei um truque que li na Cosmopolitan: fiz de conta que estava a ajeitar o casaco, inclinando o peito para a frente. Claro que ele olhou para as minhas mamas.
Porto Campanhã, falou a mulherzinha mais uma vez. Merda, é a minha paragem. Levantei-me, ele continuou a ler o jornal. Quando a porta abriu olhei para trás, ele olhou para mim e disse-me "em que comboio voltas?", "no das sete e meia", respondi.