14/10/2008

Era uma mulher, que estava a atravessar as linhas de comboio, de um lado para o outro, com o nevoeiro cerrado em volta e eu gritei-lhe "olha os comboios!", ela ignorou-me e continuou a saltitar por entre as pedras, os ferros e os toros de madeiras. Eu estava doido, queria salva-la, ela não podia morrer, ninguém pode morrer! De repente, apareceu uma carrinha perto da linha, saíram de lá homens de bata branca e vieram lentamente na minha direcção. "Tenha calma, tenha calma, está tudo bem..." Mas não estava, a mulher, não estava bem. A mulher, eu tinha de a salvar e eles queriam-me apanhar e eu não podia ser apanhado, eu tinha de a salvar! Eles não paravam de me seguir, será que não viam a mulher? Ela é que tinha de ser salva, de ser presa, não eu! Continuei a berrar-lhes mas eles pareciam não vê-la. Espetaram-me uma agulha e agora acordei preso a esta cama. Está uma mulher ao meu lado a dizer "Ricardo, a mulher que viu nas linhas, continua aqui?", até parece que é cega, "claro que não está aqui!"