13/10/2008

É o meu 47º aniversário, 21h, nada na tv, só um copo na mão. Faço anos no inverno, o que sempre me obriga a estar embrulhado numa manta aquando do momento em que sopro as velas. Como me divorciei no ano passado, desta vez embrulhei-me em duas mantas, uma delas a substituir o calor da minha ex-mulher. Deixou-me quando descobriu que eu tinha uma filha ilegítima com 13 anos, ou seja, que a tinha traído durante o nosso casamento. Desde então que ando sozinho e destroçado, sinto-me acabado e isto é uma vida que não desejo a ninguém, principalmente num dia de aniversário. Estou há horas à espera de uma chamada dela, mas nada, o telefone não toca. Olhem, que se foda, vou sair de casa. Peguei no casaco e nas chaves do carro, vou beber um copo a um bar de strip. Ver umas miúdas giras nunca fez mal a ninguém, com sorte ainda arranjo uma que me chupe a pila, e eu talvez esqueça a minha ex-mulher por umas horas. E bom, cá estou, sentado, de tusa feita a olhar para o rego da ucraniana que abana o cu mesmo à minha frente, mas qualquer das formas, trouxe o telemóvel, talvez ela ainda me ligue e me diga "Fiz-te um bolo de chocolate, como tu gostas."