21/10/2008

O Tintos ligou-me as 22h30, estava eu com as minhas amigas. "Estás no centro? Onde? Espera aí, vou já aí ter contigo." Fiquei parva da minha vida, eu e o Tintos tínhamos acabado há duas semanas, ainda ontem ele tinha-me ligado e tínhamos combinado que só voltávamos a falar no próximo fim-de-semana.
Ele não demorou muito a aparecer, deve ter andado as 120 à hora, como de costume, ele sempre teve a mania da velocidade, no fundo, ele devia ser dos tunings. Parou na berma da estrada e eu inclinei-me sobre o vidro aberto, para lhe mostrar o decote, só para o torturar. "Olha, vês, cortei o cabelo! Gostas?"
Eu fiquei um bocado coisa porque, na verdade, não gostava lá muito. "Oh, está muito bonito! Fica-te bem!", fiz-lhe uma festinha na cara. De repente, ficou com uma cara diferente, enraivecida, disse-me "Olha, não consigo ver-te, vou-me embora. Vai-te embora. Vai!" Começou a chorar e arrancou, a traseira do carro raspou na minha perna, eu chamei-lhe filho da puta no meio da rua, mas ele não me ouvi. Fiquei parada ali na berma da estrada, depois alguém me tocou no ombro "oh boneca, quanto levas pelo broche?"