09/07/2009

Mudou rapidamente de pé, estava cansada de estar apoiada unicamente no seu lado direito, o maior e o seu mais imperfeito: a mama mais caída, a coxa mais gorda, a mão mais feia. Passou todo o seu peso para o lado esquerdo, o seu favorito. Em tudo o resto, na sua vida, mantinha essa adoração pelo lado esquerdo: a porta esquerda, a cadeira da esquerda, os lugares no comboio, do lado esquerdo, até da própria palavra "esquerda" ela gostava mais, parecia mais desarrumada e atabalhoada que a estrita "direita" que sempre a fazia pensar em árvores infinitas.