21/10/2011

Elas viram-se na rua e Eva não podia esconder a surpresa ao ver a sua amiga de infância sentada numa cadeira de rodas. Ana estava habituada àquele olhar, um misto de confusão e pena, e ainda assim não se conseguia habituar. Ficava quase furiosa de cada vez que acontecia. Abraçaram-se, longamente, era bom sentir calor humano assim, na força de um abraço.
Ao fim de um dia inteiro juntas, Ana  finalmente falou da sua relação com o namorado "Ele deixou-me após o acidente." Olharam-se em silêncio, também ela tinha acabado uma relação recentemente. Manteve-se firme no olhar e Ana respirou de alívio, sabia que agora estavam em igualdade, já não havia pena, apenas compaixão. Eva queria perguntar-lhe mas sabia que seria demais, que poderia magoa-la. Ficou-se pelo simples "Não te merecia", que mais poderia dizer? Ana riu-se, "não poderias ter dito nada mais lamechas, mas sim, talvez tenhas razão." Eva deu a mão a Ana, era bom ter uma amiga de volta. Ana respirou fundo e partilhou a angústia "Não sei se serei ainda capaz de o fazer. Tenho medo de..." Eva manteve a mão sobre a de Ana, não a deixaria. "Ajudar-te-ei." e beijou-a, não houve resistência, apenas confiança entre as duas. Eva ensinar-lhe-ia tudo, outra vez.